Foi noticiado pela agência internacional Reuters, nesta sexta-feira (9 de fevereiro), que cientistas conseguiram desenvolver óvulos humanos a partir de tecido ovariano de mulher.
Pela primeira vez, foram desenvolvidos óvulos humanos em laboratório desde os estágios iniciais até a total maturidade, quando estão prontos para serem fertilizados — uma descoberta que pode ajudar a desenvolver novas terapias regenerativas e tratamentos contra a infertilidade.
O experimento foi realizado por pesquisadores do Reino Unido e dos EUA, que publicaram os resultados na revista científica Molecular Human Reproduction.
Os óvulos foram desenvolvidos a partir do tecido ovariano de dez mulheres. Dos 48 óvulos que atingiram o penúltimo estágio do processo, nove chegaram à maturidade total.
Estudos anteriores já haviam obtido o mesmo resultado em ratos, criando óvulos desses animais em laboratório até o estágio em que produziram descendentes vivos. Em humanos, outras equipes tinham atingido diferentes estágios do processo, mas é a primeira vez que se consegue desenvolver os mesmos óvulos do estágio inicial até o ponto em que poderiam ser liberados pelos ovários e fertilizados.
Ser capaz de desenvolver completamente óvulos humanos em laboratório pode ampliar o escopo dos tratamentos de fertilidade existentes. Estamos trabalhando em melhorar as condições dos óvulos humanos durante seu desenvolvimento e estudando o quão saudáveis eles são. — Evelyn Telfer, coautora do trabalho
Repercussão
Especialistas não ligados diretamente ao estudo comentaram que o trabalho é importante, mas alertaram que há muito a ser feito antes que óvulos criados em laboratório possam ser usados com segurança para fertilização.
“Esses dados sugerem que isso pode ser muito factível no futuro”, disse Ali Abbara, pesquisador de endocrinologia do Imperial College London. “Mas a tecnologia ainda está em estágio inicial, e há muito a ser feito para garantir que a técnica seja segura e que os óvulos permaneçam normais durante o processo, formando embriões que levem a bebês saudáveis.”
Para Darren Griffin, professor de genética da Universidade de Kent, o trabalho foi um “avanço técnico impressionante”. Se comprovada sua segurança, pode no futuro ajudar pacientes de câncer a preservar a fertilidade antes da quimioterapia, melhorar tratamentos contra infertilidade e aprofundar a compreensão dos primeiros estágios da vida humana.
Fonte: G1 / Reuters

